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Nessa semana, conversamos com Luiz Morando, que é doutor em estudos literários pela UFMG e professor no Centro Universitário de Belo Horizonte. Nossa conversa foi sobre seu mais recente livro Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte, publicado agora em 2020 pela editora O Sexo da Palavra. A partir de uma pesquisa minuciosa com arquivos de jornais, de entrevistas e coleta de depoimentos em comunidades online, Luiz resgatou a história de Cintura Fina, uma travesti negra cearense que viveu em Belo Horizonte entre as décadas de 50 e 80. Cintura era uma figura intrigante que ganhou fama nas páginas policiais dos jornais por não levar desaforo para casa e enfrentar com sua navalha quem quer que fosse, mas como Luiz demonstra esse é apenas um lado de sua complexa personalidade. Apesar da pesquisa ter como foco Cintura Fina, sua vida é representativa das condições de marginalidade de tantas outras travestis brasileiras e também das estratégias que desenvolveram para sobreviver e fruir, contribuindo assim para adensar a história do gênero e da sexualidade em nosso país.
O livro está a venda no site da editora: https://www.osexodapalavra.com/cinturafina
Esse episódio conta com notícias narradas generosamente pelo ator Bruno Pontes e áudios do curta-metragem Derivado da Minha Beleza, dirigido por Fernanda Gomes e Luciana Barros.
As reportagens da época me lembraram esse TCC da UFSC:
HARTMANN, Jennifer Morel et al. Identidades trans* em pauta: Representações sociais de travestis e transexuais no telejornalismo policial brasileiro. 2014.