#65. Mirani Barros – Um lugar para ser gorda

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Nessa semana, conversamos com Mirani Barros, que é nutricionista e mestra em Saúde Coletiva pela UERJ. Nossa conversa foi sobre sua dissertação de mestrado Um lugar para ser gorda: afetos e erotismo na sociabilidade entre gordinhas e seus admiradores. Através de uma cuidadosa etnografia de um grupo online e encontros presenciais de gordinhas e admiradores, Mirani nos mostra como nesses grupos ocorre uma expansão de possibilidades e sentidos para os corpos gordos, operada por um complexo jogo de sociabilidade, erotismo, exibição e elogios. Seu trabalho contribui para repensar a magreza como única opção para a saúde e a beleza, além de fornecer elementos empíricos para a construção de um pensamento teórico acerca da diversidade corporal.

#43. Layla Carvalho – Da esterelização ao Zika

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Nessa semana, conversei com Layla Carvalho, que é doutora em Ciência Política pela USP e professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Nossa conversa foi sobre a sua tese de doutorado intitulada Da esterilização ao Zika: interseccionalidade e transnacionalismo nas políticas de saúde para as mulheres.A partir do estudo de caso da elaboração do Programa de Assistência Integral a Saúde da Mulher, na década de 1980, da elaboração do Programa Rede Cegonha e da resposta brasileira à epidemia do vírus Zika, ambos na década de 2010, Layla analisa a maneira como os movimentos sociais e o Estado dialogam estrategicamente com os discursos transnacionais. Seu estudo contribui para uma visão mais crítica dos processos transnacionais, demonstrando como esses podem criar oportunidades políticas tanto para movimentos sociais quanto para o Estado. Contribui ainda para reforçar a importância de uma análise interseccional das políticas públicas. Além disso, conversamos sobre a pandemia da covid-19 e traçamos alguns paralelos com a epidemia do Zika.

O trabalho de Layla pode ser acessado gratuitamente aqui.

#32. Fernanda Benvenutty [Memória LGBTI]

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O episódio de hoje é uma homenagem a Fernanda Benvenutty, travesti, paraibana, ativista, mãe, técnica de enfermagem e carnavalesca. Fernanda nos deixou no domingo, dia 02 de fevereiro de 2020, entre o carnaval e o dia da visibilidade trans, duas datas que tanto marcaram quanto foram marcadas por ela.

A forma que temos de homenagear Fernanda é fazendo sua voz ser ouvida mais uma vez, para que ecoe e possamos aprender com a sua experiência. É difícil apresentar Fernanda, pois essa foi e fez muitas coisas em sua vida. Nasceu no interior da Paraíba na década de 1960, saiu de casa ainda adolescente, trabalhou de doméstica, babá, artista circense e tantas outras profissões para sobreviver. Estudou técnica de enfermagem e se tornou parteira, trabalhou em diversos hospitais e dedicou muito da sua vida à luta pela saúde pública.

Na militância, teve importância em seu estado e também em âmbito nacional. Em outubro de 2002 fundou a ASTRAPA – Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba, organização que até hoje existe e atua naquele estado na defesa dos direitos das pessoas trans. Durante os anos de 2004 a 2008 se tornou vice-presidenta da ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais. Representando a ANTRA participou da elaboração do Programa Brasil Sem Homofobia, do Processo Transexualizador e de tantas outras políticas públicas para a população LGBT. Acreditava na ocupação dos espaços institucionais como forma de promover mudanças sociais mais amplas e por mais de uma vez se lançou candidata pelo Partido dos Trabalhadores. Seu legado para esse país é amplo e não será esquecido.

Selecionei algumas gravações de falas da Fernanda que assisti para compartilhar com vocês. São falas que a ativista fez durante eventos públicos que acompanhei e gravei para a minha pesquisa de doutorado. Mais especificamente, estou utilizando um pedaço de uma fala feita no XXII ENTLAIDS, realizado no ano de 2017, na cidade de Teresina (PI). E dois pedaços de falas que Fernanda fez, em 2016, em um evento organizado pela profa. Flávia Teixeira da Universidade Federal de Uberlândia. Como a gravação não foi feita pensando em publicar em um podcast, a qualidade do som não é perfeita e há uma série de ruídos ou barulhos da plateia.

É claro que o que vocês ouvirão é apenas um recorte de quem foi a Fernanda, a partir dos meus encontros com ela. Eu era um estudante de doutorado pesquisando o movimento trans e Fernanda, uma das ativistas centrais daquele movimento. Ela foi uma figura importante nessa minha trajetória, não apenas pelo local que ocupava no movimento, mas também pelo conteúdo de suas falas, por nossas conversas e trocas de carinho. Fernanda era extremamente inteligente, alegre, enérgica e dona de uma personalidade forte. Mesmo sem querer acabava por se destacar nos lugares. Não se calava quando via ou ouvia algo que não concordava, mesmo quando sabia que suas posições eram consideradas polêmicas ou controversas. Nossas conversas eram intensas, Fernanda discordava radicalmente de várias das minhas ideias e aprendi muito com essas discussões.

Tenho insistido em minhas produções que o conhecimento não é produzido apenas nas universidades e espaços formais de saber. Fernanda e o movimento trans produziram e ainda produzem muito conhecimento. Espero que com esses pedacinhos áudio eu possa honrar a sua história e compartilhar com vocês o conhecimento que ela ainda tem a nos passar.

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